Renè e sua crítica da dúvida cartesiana:
Descartes costuma, comumente, ser lembrado pela sua postura cética no momento inaugural de sua filosofia. Esse ceticismo é, sobretudo, uma iniciativa natural do seu modo de pensar e abriga, no cerne de sua orientação, uma postura muito comum, e de certa forma original e embrionária, da consciência de sua época: a postura crítica. Descartes foi o filósofo que acolheu em suas reflexões os desdobramentos de sua época, a saber, a Revolução Científica. O movimento iniciado com os cálculos de Copérnico deu luz a uma nova Era do ocidente e apontou ao homem europeu o destino do horizonte vislumbrado pelo Renascimento. Neste litigante período histórico, não foi apenas o homem que perdeu seu lugar no mundo, mas sim o próprio mundo que deslocou seu eixo e ganhou novos fundamentos no pensamento científico racional em oposição ao pensamento teológico cristão. Agora esse mundo, antes fechado num sistema metafísico de revelações harmónicas herdadas desde a Antiguidade, havia sido aberto ao questionamento matemático e experimental do empirismo e racionalismo europeu. As dúvidas cartesianas são um reflexo dessa nova atitude perante a afirmação do mundo. Pois o filosofo faz uma volta a si mesmo e, dentro de si, procurar inverter as ciências admitidas até então e tentar reconstruí-las, oferecendo as um fundamento seguro, fundamento este que na sua filosofia ficou bem conhecida como o ego cartesiano. Mas na busca natural por um fundamento seguro ele não só põem em dúvida a realidade a sua volta, como também investiga a possibilidade de um campo seguro para a construção de uma ciência universal. É justamente neste “por em dúvida” que se efetiva sua atitude crítica. Duvidar de algo é por em crítica o seu conjunto de validades. Essa postura tende a ser reformadora na filosofia pois sugere um novo modelo de metafísica que se evidenciará no ideal cartesiano de scientia universalis. Era o berço de nascimento do homem moderno.
Descartes costuma, comumente, ser lembrado pela sua postura cética no momento inaugural de sua filosofia. Esse ceticismo é, sobretudo, uma iniciativa natural do seu modo de pensar e abriga, no cerne de sua orientação, uma postura muito comum, e de certa forma original e embrionária, da consciência de sua época: a postura crítica. Descartes foi o filósofo que acolheu em suas reflexões os desdobramentos de sua época, a saber, a Revolução Científica. O movimento iniciado com os cálculos de Copérnico deu luz a uma nova Era do ocidente e apontou ao homem europeu o destino do horizonte vislumbrado pelo Renascimento. Neste litigante período histórico, não foi apenas o homem que perdeu seu lugar no mundo, mas sim o próprio mundo que deslocou seu eixo e ganhou novos fundamentos no pensamento científico racional em oposição ao pensamento teológico cristão. Agora esse mundo, antes fechado num sistema metafísico de revelações harmónicas herdadas desde a Antiguidade, havia sido aberto ao questionamento matemático e experimental do empirismo e racionalismo europeu. As dúvidas cartesianas são um reflexo dessa nova atitude perante a afirmação do mundo. Pois o filosofo faz uma volta a si mesmo e, dentro de si, procurar inverter as ciências admitidas até então e tentar reconstruí-las, oferecendo as um fundamento seguro, fundamento este que na sua filosofia ficou bem conhecida como o ego cartesiano. Mas na busca natural por um fundamento seguro ele não só põem em dúvida a realidade a sua volta, como também investiga a possibilidade de um campo seguro para a construção de uma ciência universal. É justamente neste “por em dúvida” que se efetiva sua atitude crítica. Duvidar de algo é por em crítica o seu conjunto de validades. Essa postura tende a ser reformadora na filosofia pois sugere um novo modelo de metafísica que se evidenciará no ideal cartesiano de scientia universalis. Era o berço de nascimento do homem moderno.
Kant e a sua crítica da razão :
Em pouco mais de um século o mundo europeu vivenciou e abrigou um surto de inovações que se estendiam desde a esfera do conhecimento científico até ao âmbito das revoluções sociais e econômicas que implicaram, na Inglaterra, uma mudança da estrutura política inaugurando, assim, a vida política no mundo burguês. Passando pela publicação de “As Revoluções das Órbitas Celestes” de Copérnico até a “Principia Mathematica” de Newton ou pelas Revolução Puritana até Revolução Gloriosa, novos ideais começavam a movimentar a consciência do homem moderno, ideais esses que, tal como conhecemos hoje, ficaram marcados no movimento tido como Iluminismo. Na Alemanha, então inda um arquipélago político de principados, o Iluminismo, ou “Aufklarung”, enfrentava os problemas da metafísica iniciada em Descartes e refutada por Hume; isto é, assim como Descartes havia fundamentado todo pensamento moderno numa atitude racionalista, o espírito científico de Bacon de Verula havia instigado os pensadores John Locke e David Hume a refundamentarem o homem moderno num pensamento empirista. Era o “teatro de infindáveis disputas” entre os empiristas e racionalistas. No âmbito de um desenvolvimento da disciplina metafísica na filosofia, a missão do filósofo que há de suceder a esse embate, a filosofia de Kant, vai consistir em dar pleno remate e terminação a essa disputa da consciência moderna. É neste entrave que ascende a filosofia crítica de Immanuel Kant. A atitude crítica kantiana vai se constituir no que o próprio filósofo chamou de “tribunal da razão pura”; isto é, Kant visa apurar as questões levantadas pelos debates entre racionalistas e empiristas e para isso ele aborda o termo “critica” no seu significado grego: discernir, julgar. Dessa forma, o ideal da crítica na filosofia transcendental não é de condenar e acusar a razão humana, mas sim uma determinação ou distinção das suas fontes com referência aos seus âmbitos de aplicação e validade para poder, assim, avaliar o âmbito de validade da própria metafísica. É na originalidade desse projeto que Kant inaugura a sua “revolução copérnica” e desloca de eixo a matriz do conhecimento, antes situada no objeto, para o sujeito do conhecimento. Assim, pois, Kant encerrava um período da história da filosofia iniciada em Descartes. Era o fim da idade moderna.
Em pouco mais de um século o mundo europeu vivenciou e abrigou um surto de inovações que se estendiam desde a esfera do conhecimento científico até ao âmbito das revoluções sociais e econômicas que implicaram, na Inglaterra, uma mudança da estrutura política inaugurando, assim, a vida política no mundo burguês. Passando pela publicação de “As Revoluções das Órbitas Celestes” de Copérnico até a “Principia Mathematica” de Newton ou pelas Revolução Puritana até Revolução Gloriosa, novos ideais começavam a movimentar a consciência do homem moderno, ideais esses que, tal como conhecemos hoje, ficaram marcados no movimento tido como Iluminismo. Na Alemanha, então inda um arquipélago político de principados, o Iluminismo, ou “Aufklarung”, enfrentava os problemas da metafísica iniciada em Descartes e refutada por Hume; isto é, assim como Descartes havia fundamentado todo pensamento moderno numa atitude racionalista, o espírito científico de Bacon de Verula havia instigado os pensadores John Locke e David Hume a refundamentarem o homem moderno num pensamento empirista. Era o “teatro de infindáveis disputas” entre os empiristas e racionalistas. No âmbito de um desenvolvimento da disciplina metafísica na filosofia, a missão do filósofo que há de suceder a esse embate, a filosofia de Kant, vai consistir em dar pleno remate e terminação a essa disputa da consciência moderna. É neste entrave que ascende a filosofia crítica de Immanuel Kant. A atitude crítica kantiana vai se constituir no que o próprio filósofo chamou de “tribunal da razão pura”; isto é, Kant visa apurar as questões levantadas pelos debates entre racionalistas e empiristas e para isso ele aborda o termo “critica” no seu significado grego: discernir, julgar. Dessa forma, o ideal da crítica na filosofia transcendental não é de condenar e acusar a razão humana, mas sim uma determinação ou distinção das suas fontes com referência aos seus âmbitos de aplicação e validade para poder, assim, avaliar o âmbito de validade da própria metafísica. É na originalidade desse projeto que Kant inaugura a sua “revolução copérnica” e desloca de eixo a matriz do conhecimento, antes situada no objeto, para o sujeito do conhecimento. Assim, pois, Kant encerrava um período da história da filosofia iniciada em Descartes. Era o fim da idade moderna.
Schopenhauer e sua crítica do teísmo ocidental:
A filosofia kantiana acabou influenciando todo cenário filosófico e se ramificando nas doutrinas de Fitch, Schelling, Hegel e finalmente Schopenhauer. Este último configurou sua filosofia de uma forma bem diferente da de seu rival, Hegel. Na esteira da revolução copérnica, a filosofia crítica, ao ver de Schopenhauer, era uma filosofia de crise, que inalgurava na filosofia, depois da Antiguidade e Renascimento, uma nova época do pensamento europeu: “Todos sabiam que acontecera algo de grandioso, mas ninguém sabia exatamente o quê.” A filosofia de Schopenhauer era tida pelo próprio como a obra do pensamento capaz de encerrar a transição entre moderno e o pôs moderno. Pois Kant havia levado aos chãos não apenas o mundo medieval, mas, principalmente todo o conjunto de valores idéias que se julgava pertinente situar no cerne do pensamento tomista/agostiniano. O idealismo representava o foco central da crítica de schopenhauer pois ele significava, não só uma superação do realismo e do materialismo, mas também uma refundamentação epistemológica e uma crítica aos antiguíssimos preconceitos do teismo europeu. Tal projeto preconizado por Kant e estendido por Schopenhauer atendia pelo título de "crítica do teismo ocidental".
A filosofia kantiana acabou influenciando todo cenário filosófico e se ramificando nas doutrinas de Fitch, Schelling, Hegel e finalmente Schopenhauer. Este último configurou sua filosofia de uma forma bem diferente da de seu rival, Hegel. Na esteira da revolução copérnica, a filosofia crítica, ao ver de Schopenhauer, era uma filosofia de crise, que inalgurava na filosofia, depois da Antiguidade e Renascimento, uma nova época do pensamento europeu: “Todos sabiam que acontecera algo de grandioso, mas ninguém sabia exatamente o quê.” A filosofia de Schopenhauer era tida pelo próprio como a obra do pensamento capaz de encerrar a transição entre moderno e o pôs moderno. Pois Kant havia levado aos chãos não apenas o mundo medieval, mas, principalmente todo o conjunto de valores idéias que se julgava pertinente situar no cerne do pensamento tomista/agostiniano. O idealismo representava o foco central da crítica de schopenhauer pois ele significava, não só uma superação do realismo e do materialismo, mas também uma refundamentação epistemológica e uma crítica aos antiguíssimos preconceitos do teismo europeu. Tal projeto preconizado por Kant e estendido por Schopenhauer atendia pelo título de "crítica do teismo ocidental".
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