quinta-feira, 11 de novembro de 2010

condições lúdicas

Numa imensidão escarlate pequeninas faíscas de luz pipocaram irradiando sua beleza para o firmamento celeste. Pequenos floquinhos de terra se aglomeraram e num movimento só compuseram a sinfonia do universo; um por um foram eles, como instrumentos conjugados, formaram os primeiros corpos que cirandaram no espaço em torno de uma força de luz chamada Sol. Então num inexprimível espaço de tempo o inexorável aconteceu: num desses astros algo peculiar, um milagre havia desabrochado: vida. Criaturas estranhas essas que caminhavam pela superfície do planeta. Criaturas estranhas essas que aprenderam a amar, e por amor buscaram entender os astros, as estrelas, os animais, as nuvens;mas só não entendia o ímpetos que os instigava a cada minuciosa investigação, fosse no campo celeste ou fosse na interioridade, não entendiam o próprio amor.
poderia ser esse um mito sublime do paradoxo da vida: sentir e entender. Poderia ser essa uma linda empopéia inventada por alguém sabido da sua própria natureza, mas nem por isso teria ilustrados o quão lamentável é essa condição humana. o que é essa condição que nos acorrenta à angústia de desfrutar do mais belo e sublime da vida, mesmo sendo um desfrutar volitivo e cego, carente de qualquer faculdade elucidativa? o sentimentos permeiam a vida tal como a água faz com o oceano ou tal como o ar faz com o vento: eles são em si a quintesséncia, a matéria constitutiva da cada passo, de cada sopro e de cada beijo. Eles são para nós o que é a música para a orquestra, o que são as cores para a pintura. Eis o paradoxo!!! TU não consegues, cara amiga, contemplar o abissal fundo do poço?! Não?!... não te preocupes, pois aquilo que se estende até o âmago de nossos sentidos passa por despercebido até aos olhos dos mais sábios. não queremos ser sábios, queremos ser artistas, pois o que é o artista se não o homem que deixou de ser homem para constituir-se na revolução criadora das idéias paradoxais lastradas nos sentidos carentes de razão, sentidos estes que dançam no campo como fazem o próprio vento que acaricia a grama e balança a copa das árvores? Espírito! Somos o espírito criador do homem, o eterno retorno ao suspiro sem beijo!
Contemples, pois, o paradoxo! os sentimentos são como o olhar que apenas intui, não enxerga; a mão que apenas sente, mas não toca; a voz que apenas grita, mas sem som. Eles são mudos, cegos e insensíveis, mas também, enxergam o invisível, agarram o abstracto e gritam o indizível. Paradoxo oceano sem fim! Sentir é intuir no espírito a certeza contemplada apenas aos olhos do cego que já se apaixonou ou aos ouvidos do mudo que já cantou!
Farei-me cego, farei-me surdo e mudo, mas nunca deixarei de sentir em ti a minha mão passear, minha mão acariciar e fechar os dedos em cada canto de seu corpo, sem nunca te tocar. tocar-te-ei com o espírito. Sentir-te -ei com o coração. Isso nós não precisamos entender, apenas sentir. è essa a beleza do paradoxo que nos transforma em quase homens: poetas.

2 comentários:

  1. Esse texto me emocionou de verdade! fiquei arrepiada... e não falo pra te agradar, pq realmente superou minhas expectativas!
    Gosto da sua sensibilidade para certas coisas.

    ps:
    não achei que fosse gostar tanto... devia ter lido antes mesmo.
    é um texto digno de reconhecimentos.. quanto orgulho!

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  2. Sensacional. Me deixou sem palavras... Parabéns.

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