quarta-feira, 24 de novembro de 2010

devaneio insular

Se lançar em alguma coisa que desconhecemos. Não é esse o ato de viver? Estar constantemente mergulhando num poço do qual não se sabe o fim? Estar constantemente se debruçando num precipício e lançando seu corpo ao vento para, num suspiro, esperar por um milagre que tornará sua existência mais leve que o ar? Qual será a insustentável leveza do ser? Lutamos por corpos mais leves assim como lutamos pelo "abandonar a si", pois queremos nos desprender desse corpo assim como as folhas um dia se desprendem das árvores. Pois as arvores tem raízes que as atem ao chão, assim como o corpo tem pés e nos acorrentam à terra. Em matéria de pensamento, nos encontramos tão distantes de um significado para a vida tal como nossos pés se encontram longe das estrelas. Ainda assim, por devaneios, esperamos caminhar por entre estrelas quando, em verdade, estamos despencando dos céus e indo de encontro aos pés na terra. Ser apenas uma estrela cadente, é esta a tarefa urgente do ser que existe no homem.

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